O armário embaixo da pia Era um péssimo dia. Sério, era um dia muito ruim, era um dia completamente pútrido. Por que? Bom, a nota de matemática saiu e você tirou outro 4, o carinha que eu você é afim ficou com a tua melhor amiga, você brigou com o teu melhor amigo e para colocar a cereja no topo do sorvete, você levou uma suspensão, o motivo? A professora de geografia te odeia, ela estava da situação econômica dos Emirados Árabes Unidos e você a corrigiu, ela achou que você estava a desafiando, você só falou que o que ela disse estava errado ( e estava mesmo!) e ela te deu uma suspensão de 1 dia. F*deu. Seus pais vão te matar, sério, tua mãe vai te escalpelar, teu vai te dar um tiro e a tua irmã menor vai ficar vendo e rindo da coisada toda. É, f*deu. O seu melhor amigo, o Harry brigou com você, Deus lá sabe o motivo, ele deve estar na TMP ou menopausa. Mas ele é o teu melhor amigo, desde ... sempre. Tipo, brigar com ele era um tipo de Guerra Fria, vocês não gritavam, se estapeavam e nem nada do gênero, era uma troca de olhares e de ações, ele não falava nada, mas era claro que ele estava de mal com você. Mas o motivo você não tem idéia qual é, e quando você perguntou para ele, ele disse na voz mais calma o possível, quase fria: "Não me venha perguntando como se você não soubesse, lá no fundo você sabe. Pensa." Porque o seu melhor amigo tinha que ser tão.. passivo-agressivo!? Sério, dá vontade de colocar um bife dentro da cueca dele e soltar um cachorro faminto em cima! Tipo, ele irrita tanto quando ele faz isso, que você também já pensou em colocar mel no shampoo dele e soltar um bando de abelhas africanas só para ver ele morrer lentamente. Brigar com ele era muito ruim. Principalmente porque você o conhece a tua vida todinha, bixo. As suas mães eram amigas, elas se conheceram na aula de ioga para grávidas e ficaram super amigas. Você nasceu um dia depois dele, no berçário da maternidade, vocês ficaram um do lado do outro. Moravam no mesmo quarteirão, freqüentavam a mesma escola e ele praticamente morava na sua casa. Ele ia lá para fazer o dever de casa, trabalhos, estudar, comer, ver TV, às vezes até tomar banho! Isso acontecia porque a casa dele era uma zona, e ele tinha muitos irmãos, então era impossível se concentrar lá. Na sua casa ninguém se importava com a presença constante dele, era até muito agradável, porque você era filha única e tals. Vocês já passaram por tudo juntos, brigas, Guerra Fria, 3º Guerra Mundial, término do Blink, as ex-namoradas malucas deles, os teus ex-namorados babacas, os chifres que ele já tomou e as ex que ele chifrou e o mesmo vale para você. Não dá para ficar assim, você pensou, você sem Harry é tipo, hamburger sem carne. Não dá para ficar sem, falta alguma coisa, ele é a maconha do teu baseado, sacas? Então você foi até a casa dele. Tocou a campainha e esperou ele atender, mas aquele ser é mais lerdo que uma mula. Depois de uns 5 minutos, a tartaruga reumática abre a porta com um sorriso de orelha a orelha. "Oi" ele diz e você responde:" Você está bem?" "Nunca estive melhor" "Você não estava todo putinho comigo?" "Isso é o que você acha, eu queria que você pensasse isso, porque aí você iria até aqui" "Se você quisesse que eu fosse à sua casa, por que você não pediu?" "Porque isso não seria interessante, bixo" "Sério, eu vou te matar. Nesse momento a tua vida não está valendo absolutamente nada." com isso ele deu um sorriso torto e te pediu para você entrar. Você entrou e como sempre a casa dele parecia um campo minado explodido, parecia que o furacão Katrina andou fazendo uma visitinha. "Então, o que você quer?" você perguntou, achando a situação toda muito estranha para o teu gosto. "Eu quero te mostrar uma coisa, vem comigo até a cozinha" você concordou e foi com ele até a cozinha, que estava uma zona. Tinha restos de comida jogados na pia, pratos e copos sujos em cima da mesa, os azulejos que um dia foram brancos estavam amarelados, saía um cheiro estranho da geladeira, enfim, estava uma bagunça total. Veio um barulho estranho vindo debaixo do armário da pia, você olhou e via a porta do armário se sacudindo, mas só abrindo para ver o que estava acontecendo lá dentro. "O que é aquilo ali?"você perguntou apontando para o armário embaixo da pia "É isso que eu queria te mostrar. Abra" "Então tá, né..." e você abriu com um pouquinho de medo. "AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!!!!!" você gritou de susto quando viu um casal de esquilos fazendo, bom "aquilo" e no fundo do armário tinha um buraco negro enorme. "Fecha isso aê pô!!!!!!!" gritou o esquilo macho E você fechou a porta com um baque, e se sentou na cadeira. Era demais para você. Um casal de esquilos tarados falantes. Era tudo o que você precisava o momento. "Quando a gente acabar, a gente fala" gritou a esquila. "Que porra é essa?" você perguntou para Harry. "Você viu os esquilos ninfomaníacos?" "VI!" "Ahh, que bom! Acha que eu tivesse visto por causa do ácido que eu tomei ontem, parada braba aquela que o Dougie me deu. Fiquei doidão por algumas horas. Foi irado! Eu ainda tenho umas pílulas, tu quer?" "Não, valeu, Eu não curto muito essas coisas. Mas por que tem esquilos FALANTES no armário da tua pia?" "Sei não." "Quando eles acabarem o ritual de acasalamento deles, a gente bate um papo com ele." "É o jeito..." Então vocês esperaram por uns 45 minutos tomando chá. Foram 45 minutos muito, muito, muito perturbadores. Os esquilos estavam gritando e gemendo sem parar, e gritavam coisas bizarras, tipo: MAIS RÁPIDO PUDIMZÃO!" Falei que era perturbador. "Será que eles estão usando camisinha?" perguntou Harry e você respondeu com um olhar de quem não acredita no que está escutando. "Que foi? Sou a favor do sexo seguro, uai." e você olhou para ele mais uma vez, como quem diz: Maluco é fogo. Depois que os esquilos acabaram de fazer o que eles estavam fazendo, vocês abriram a porta do armário e viram os dois esquilos deitados abraçados e suados. Sério, depois dessas cenas, só com muitas horas de terapia para superar aquilo, era perturbador demais. Deveria existir um motel para esquilos tarados. "Oi galerinha!" falou o esquilo, "tudo bom com vocês?" "tudo bom sim," respondeu Harry, com cara de quem estava achando aquilo tudo um máximo e você estava achando aquilo tudo muito doido. Depois de uns minutos de conversa, os esquilos perguntaram se vocês gostariam de entrar e você respondeu: "Tudo bem, mas onde vocês moram?" "É só entrar nesse buraco negro aqui atrás." "Cuma?" perguntou Harry com uma voz meio aguda distorcida pelo o medo causado pela a idéia de entrar em um buraco escuro enorme dentro do armário da pia. "Tem medo, neném" falou a esquila dando uma piscadela para Harry. "Entrem vocês primeiro que a gente vai logo atrás." E vocês entraram no buraco. Continua... HA-HA-HA! Suspeeeeeense! Eu sei, eu estou lendo Nárnia demais. Mas quero saber o que vocês estão achando!
Hm, legal.
Quero dizer, ser acordado com uma garrafa de água sendo aberta bem na sua cara, é super legal sabe, adoro isso, água gelada, no meio do inverdo, de madrugada, nossa, uma delícia.
- Acorda anta empacada! A gente tem que sair. - Ouvi a voz de Dougie, é, provavelmente era ele que estava jogando a água na minha cara, por isso que mirei (mesmo com os olhos ainda fechados) naquele lugar frágil que todos nós temos e ouvi um 'Wow, calma aí', e depois ele caindo no chão.
Me deitei de bruço e tampei a cabeça com um travesseiro, o próximo que jogar uma só gotinha de água em mim vai para o lugar mais próximo por um super novo meio de transporte: se chama Chuti Nabun Da, uma nova tecnologia desenvolvida pelos Japoneses, que você apenas uma o seu pé e a bunda da outra pessoa.
Simples, fácil, eficiente e perfeito para ser usado na bundinha branquela e molenga do Dougie.
- Acooooooooooorda! - Senti um troço em mim.
Hm, legal. [2]
Era óbvio que era o Tom dessa vez, ninguém mais seria tão pesado e mole feito gelatina a face da Terra feito ele.
- Sai de mim coisa ruim! - Eu gritei.
- Ah... Saia desse corpo que não te pertence! Saia! Eu te mando emboraaa! - Dougie gritava e sacudia Tom, enquanto ele gritava:
- AARRRRRGR, UUUGH, BRRGAHAHAS. - Sim, ele estava rosnando. Ros-nan-do.
É, os tempos mudaram.
Na minha época as pessoas não era assim, tão selvagens.
Eu sabia que eles não queriam que eu acordasse para sair para trabalhar, afinal, eu nunca saia para trabalhar, era sempre para olhar eles tocando e dizer alguns 'hmm, aumenta isso, tira esse dó daí, você é louco?'
Eu continuava com a cabeça enfiada no travesseiro, Tom pulando em cima de mim rugindo e Dougie gritando 'Eu te expulso, eu te expulso!', e não duvido nada que ele estivesse fazendo os sinais que os carinhas fazem em filmes para espantar as coisas ruins.
- Olha aqui! - Eu explodi, levantando do nada e jogando Tom no chão, eu podia sentir meu rosto queimando de raiva. Se tem uma coisa que eu o-d-e-i-o, é ser acordado. - O último que me acordou desse jeito está a 4 palmos do chão!
- Ele trabalha num submarino?
- Não teve graça Poynter. - Passei por ele e fui direto para a cozinha.
- Ei! - Harry, Tom e Dougie me seguiram até lá. - Dougie não estava brincando, temos que trabalhar.
- Trabalhar?
- É, esqueceu que vamos participar do multirão em homenagem ao William Shakespeare pela manhã e temos que apresentar uma cena de Romeu e Julieta?
- A que ele mata ela. - Eu disse, bebendo uma garrafa de leite.
- É! Essa é boa! - Dougie se animou.
- E desde quando o Romeu mata a Julieta? - Harry o corrigiu. - Ela que mata ele, seu burro.
- Pfff. - Tom bufou. - Nem o Romeu mata a Julieta, nem a Julieta mata o Romeu. É a Catarina que mata os dois.
- Cala essa boca! Catarina é de 'A Megera Domana', e o Romeu e a Julieta ambos se matam.
Depois da minha explicação no maior estilo 'expert da literatura' apenas ficou o silêncio.
- Ok, mas ia ser bem mais legal se a Catarina matasse a Julieta. - Dougie resmungou enquanto tomava uma coca-cola direto da garrafa.
- Vamos, vamos, vamos. - Harry bateu palmas para nos apressar, e eu percebi que só eu ainda estava de pijama, ok, não um pijama, eu havia dormido de calça-jeans e camiseta, por isso eu apenas coloquei um tênis e sai com eles.
Sim, sem escovar os dentes, sem colocar desodorante, sem pentear meu cabelo. Qual o problema? Só quem se importa com essas coisas é a minha mãe, e eu duvido mesmo que minha mãe esteja navegando na internet procurando coisas que eu escrevo.
Logo chegamos à um pequeno parque, onde havia um palco e algumas fãs que já estavam esperando, mesmo agora sendo 4:00 da manhã e que o evento só começasse às 7:00 da noite.
Chegando lá, nos deram um roteiro com o texto original da cena onde Romeu encontra Julieta supostamente morta, e mata Páris.
- Bem, - Dougie disse depois de duas horas que nós quatro ficamos sentados no camarim olhando para o papel e pensando em que estado de espírito estava um ser humano que dava para Dougie o papel de Romeu. - Tive uma idéia.
- Ah não, não idéias do Dougie não, cala a boca. - Eu, Tom e Harry dissemos juntos.
- Mesmo assim vou falar.
Harry tampou os ouvidos e começou a cantar um 'bla bla bla' esquisito. Eu enfiei a cabeça entre as pernas, mas Tom, como sempre, mostrou-se atencioso.
- Diga.
- Ia ser legal se nós usássemos nossas idéias de hoje cedo para isso.
- O QUÊ?
- É, a Julieta mata o Romeu porque descobriu que ele é gay e estava com o Páris o tempo todo, e no final, a Julieta fica com a Catarina, mas a Catarina mata a Julieta porque ela tiha beijado o Romeu, e no final de tudo a Catarina se mata.
- Hn?
- É, nem ficou tão diferente do original, até onde eu sei, todos morrem.
Só pode ser piada, só pode.
- Dougie, sinto muito em te informar, mas isso é uma homenagem à William Shakespeare, não um vídeo para os extras do nosso DVD novo.
- Se não gostarem do que a gente fizer, a gente pode colocar no DVD novo, com certeza os fãs vão gostar, eles sempre gostam de tudo.
É, nisso ele tem razão, os fãs sempre gostam de tudo.
Em resumo, nós saímos do camarim e fomos para o palco, ensaiamos ali a tarde toda, e quando às pessoas chegavam e viam um Romeu coberto de plumas amarelo chocante, e pediam uma explicação, eu apenas dizia: 'É pelo bem da arte'. Deve ser uma boa frase no mundo da literatura, pois todos apenas acentiam e iam embora depois.
Então às 9:00 da noite fomos chamados ao placo, iniciando nosso lindo espetáculo, chamado: Jumeu e Rumieta
Ao contrário de nossos shows, o cenário aqui era totalmente diferente, porém o público era o mesmo: Fãs. E daquelas que sempre gostam de tudo.
Eu era o narrador, então comecei, na minha mais bela voz de garoto sensual:
- Foi no velório que Romeu chegou, e ali estava Páris, deitado sobre o corpo da Julieta. 'Tão baranga ficas perto dele, minha Julieta', ele disse ao se aproximar do corpo da amada. 'De que marca é sua calça nova Páris, ficas extremamente majestoso dentro da mesma, já tentou ser modelo de cuecas'?
A platéia não explodiu em risos como pensávamos, e começou a me dar um friozinho na barriga, talvez não estivesse sendo nada engraçado fazer piada de um dos clássicos da literatura.
- Romeu! - Julieta se levantou do túmulo, quero dizer, Harry vestido de Julieta se levantou do túmulo.
- Oh, minha amada! - Dougie correu e abraçou Harry.
- Sua amada o caramba! - A nobre Julieta Judd se levantou e deu um tapa na cara de Romeu Poynter, uma série de 'Oooooh!!!' veio da platéia.- Eu vi você lendo a G Magazine ontem, e eu vi você colecionando fotos do Páris! Romeu...Romeu... seu... sua... seu... SUA BICHA!
Novamente uma série de 'Oooooohhh!!!!'.
Então Julieta tirou uma faca de baixo da saia e enfiou no peito de Romeu, todo o cathchup que eu tinha colocado embaixo da blusa de Dougie funcionou perfeitamente, tão perfeitamente que a platéia gritou 'NÃÃÃÃÃOOOOOO!!!!'
- Você... você... você... - Páris Fletcher veio chorando até Julieta Judd. - Você matou o meu Romeu?
- Vai fazer companhia para ele , vai! - Outra facada, outo 'NÃÃÃÃÃOOOO!!!!'.
Então todos ficaram ali, caídos, enquanto Julieta corria pelo palco com a faca apontada para a platéia, era a minha hora de entrar.
- JULIETAA! - Eu, Catarina Jones entrei.
- Sai daqui sapatão!!! - Julieta corria de mim.
- Sapatão não! - Protestei, e me virei para a platéia. - Sapatilha!
Foram tantos risos que mais pareciam trovões.
- Ahhhhhh!!!!!! Sai daquiii! - Julieta gritava enquanto corria de mim, e então, no meio do palco nos encontramos, tomei a faca de sua mão, e enfiei no seu próprio peito.
Novamente: 'NÃÃÃOOOO!!!!!!'
Depois foi um silêncio profundo.
Eu não tinha ensaiado nada, por isso, corri até o meio do palco, e gritei: - E agora, me morro. -Enfiei a faca no meu próprio peito e tudo ficou silencioso e escuro enquanto as cortinas fechavam, então ouvi as palmas.
É, até que Dougie estava certo.
Todos morreram no final, não mudamos muita coisa da obra original.
By Biazinha
[N/A: Meldels, como eu disse no fórum eu escrevendo comédia, sou uma tragéia HAHA, mas o que vale é a intenção, né? *-------*]
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